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Infelizmente poucas serão as pessoas que irão até fim deste artigo, por isso devo introduzir que não sou contra a privatização, mas, infelizmente, faço parte do pequeno grupo de pessoas que compreende que privatizar é mais uma necessidade cultural e social do que econômica. E neste artigo explico isso

É preciso parar de olhar o liberalismo econômico como se fosse uma religião. Algo que tudo vale para sua implantação independente das consequências. É preciso compreender que uma economia livre é o meio, e não o fim da uma sociedade.

A função do líder de uma nação é, antes de tudo, garantir a soberania da nação que ele lidera. Entre outras coisas isso significa garantir que os direitos e liberdades individuais de cada um serão respeitados pelo agentes internos e externos.

Contra os políticos internos

Nesse sentido, de garantir os direitos e liberdades contra os agentes internos, a privatização é um meio pelo qual o líder do país – ou de uma unidade federativa, pode garantir que nenhum agente público interfira na vida cotidiana da sociedade.

Explico: segundo meu amigo Wagner Soto – que foi parafraseado pelo Flávio Morgestein em seu podcast, a esquerda fala em controle e a direita em autoridade. Ou seja, a esquerda se utilizará dos meios necessários para obter o seu fim, que é controle social. A direita utilizará dos meios necessários para que a autonomia do indivíduo – ou das famílias, seja preservada.

A estatização da economia possibilita que os agentes públicos tenham acesso aos recursos financeiros e políticos (desvio de recursos em licitação, recebimento de proprina para facilitação de licitação, loteamento dos cargos das estatais para compra de apoio no Congresso Nacional etc) necessários para poder obter o controle sobre a sociedade.

A privatização possibilita que os políticos percam as fontes dos seus recursos, financeiros e políticos, e assim impossibilitando que os partidos controlem a sociedade, pois o poder sairá das mãos daqueles e irão para a livre iniciativa, cuja finalidade é a busca das melhorias sociais em troca de lucro.

Contra os políticos externos

Contudo, privatizar, como falei, não é o fim, mas o meio para se obter as liberdades individuais. Assim, por exemplo, vender as ações da Petrobras que estão em posse do Governo do Brasil – “desestatizar”, para o Governo da China não é livre comércio, mas fazer com que a petrolífera continue estatal. Apenas mudou a residência do novo dono: antes era nacional, depois, global.

Todo investimento de um país é político. Com a China não é diferente: o país asiático é dono da maioria dos portos gregos, com isso a Grécia vota na União Europeia de acordo com os interesses chineses. Na última eleição australiana, 80% das doações para os candidatos saíram dos cofres chineses. E nós sabemos o que acontece quando uma empresa ou organização financia demais um partido.

Brasil acima de tudo

A restrição de investimento da China no Brasil não é um pecado e sustentá-la não é uma heresia por mais que afronte os “arautos da liberdade”, mas, sim, uma questão de garantir que os direitos e as liberdades individuais dos brasileiros e as decisões dos nossos congressistas não sejam subjugadas por interesses estrangeiros.

Isso não é protecionismo. Isso é racionalismo e bom senso. Privatização é para impedir que o governo, brasileiro ou estrangeiro, tenha poder para interferir na nossa vida. Fazer o inverso é fomentar o desenvolvimento de uma nova União Soviética que usa a economia, e não as armas, para expandir o seu império extra-mar.